A ex-aluna da Escola Municipal Raimundo Falcão Coelho em Araguaína, Jadhy Mariano dos Santos, recebeu uma premiação inédita para o Município. A menina de 11 anos conquistou a terceira colocação no 1º Concurso Nacional de Literatura Surda do Brasil. O projeto é uma parceria do Ministério da Educação (MEC) com a Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), no Rio Grande do Sul, que propôs a estudantes surdos e sinalizantes da Educação Básica a contarem suas histórias em Língua Brasileira de Sinais (Libras).
O resultado foi anunciado no último dia 20. O concurso foi realizado no ano passado, quando Jadhy Mariano era aluna do 5º ano da Escola Municipal Falcão Coelho, localizada no setor Tiúba, em Araguaína. Ela participou da primeira turma de Educação Bilíngue para surdos da rede municipal de ensino, juntamente com outras duas alunas surdas matriculadas na classe
“É fundamental valorizar e fortalecer essa modalidade de ensino, garantindo o desenvolvimento linguístico adequado em Libras como primeira língua e prevenindo prejuízos decorrentes da aquisição tardia da linguagem. Investir na educação bilíngue é promover inclusão, identidade e acesso pleno ao conhecimento. Sinto um imenso orgulho da trajetória da Jadhy e do seu desempenho, principalmente por ela nunca ter apresentado uma narrativa de literatura surda antes desta experiência”, disse o professor de Libras, Cleysson Wender Fernandes.
A mãe de Jadhy, Vânia Pereira, contou que a menina nasceu com deficiência auditiva e nunca havia apresentado uma narrativa de literatura surda antes desta experiência, sendo também sua primeira participação em um concurso nacional da área.
"Fiquei encantada com o desenvolvimento de minha filha e pela sua coragem. Sempre acreditei no potencial dela. Hoje, como mãe, fico muito orgulhosa, pois ela conquistou um feito imenso”, afirmou.
O concurso
A proposta do concurso é valorizar a criatividade e a cultura visual da comunidade surda, incentivando a produção de narrativas em Libras feitas por crianças e adolescentes surdos, com o apoio de seus professores. Os alunos foram incentivados a criar vídeos com histórias visuais, como contos, experiências de vida, narrativas inventadas ou recontadas por meio da Libras, com liberdade para usar o corpo, o rosto, o espaço e a imaginação.
“A iniciativa vai de encontro à preocupação do Município com a inclusão e com o projeto de implantação da disciplina de Língua Brasileira de Sinais como parte da grade de ensino das escolas municipais de Araguaína, promovendo a inclusão, garantindo um ensino de qualidade às crianças com deficiência auditiva, além de fortalecer o uso da Língua Brasileira de Sinais como língua de criação, de ensino e de expressão artística”, afirma a secretária municipal de Educação, Marzonete Duarte.
Educação inclusiva
A Libras foi introduzida como matéria escolar para os alunos da Rede Municipal de Educação de Araguaína ainda em 2021, para os estudantes matriculados no 5º ano do ensino regular. Atualmente, Araguaína é considerada referência na Região Norte na oferta e disseminação da Língua Brasileira de Sinais. O município disponibiliza a disciplina de Libras como língua adicional no ensino regular para 6.865 estudantes ouvintes, distribuídos em 48 unidades escolares localizadas tanto na zona urbana quanto na zona rural.
A Secretaria Municipal de Educação também oferece serviços de tradução e interpretação por meio da Central de Interpretação em Libras (CIL), ampliando o acesso à comunicação e promovendo a inclusão da comunidade surda.



