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"Beleza que cura": voluntários maquiam e fotografam pacientes renais para elevar autoestima na Fundação Pró-Rim em Palmas

Maquiagem, penteados e ensaio fotográfico marcaram manhã de cuidados para pacientes e acompanhantes em hemodiálise; iniciativa foi liderada por madrinha da instituição

Voluntárias realizam maquiagem e penteado em pacientes durante ação na Fundação Pró-Rim, em Palmas
Foto: Assessora Imprensa/Pró-Rim

Maquiagem, penteados e ensaio fotográfico marcaram a manhã de cuidados e autoestima para pacientes e acompanhantes em hemodiálise.

A ação foi liderada pela professora e voluntária Valquíria Rezende, madrinha da instituição e esposa de paciente em tratamento há quase oito anos.

Na manhã desta quinta-feira, 21 de maio, a Fundação Pró-Rim, em Palmas, Tocantins, se transformou em um verdadeiro salão de beleza e cenário de estúdio fotográfico para pacientes renais e seus acompanhantes.

Maquiagem, penteados e sessões de fotos deram o tom de uma ação voluntária que levou cuidado, autoestima e acolhimento para quem convive diariamente com a rotina da hemodiálise.

A iniciativa foi organizada por um grupo de voluntários, sob a liderança da professora Valquíria Rezende, madrinha da Fundação Pró-Rim em Palmas e familiar de paciente.

Pedagoga e gestora pública, ela viu a vida mudar há cerca de oito anos, quando o marido recebeu o diagnóstico de doença renal crônica e passou a fazer hemodiálise na unidade, o que a aproximou da realidade dos pacientes e a motivou a transformar essa vivência em uma missão de serviço ao próximo.

Beleza, cuidado e memória afetiva

Durante toda a manhã, pacientes e acompanhantes foram convidados a se arrumar. Passaram por maquiagem, ganharam novos penteados e depois foram fotografados. As imagens registradas serão impressas e entregues na próxima semana, como lembrança afetiva de um momento de leveza em meio ao tratamento.

A emoção de quem participou apareceu nos depoimentos. A paciente Eliana de Almeida Ramos, de 45 anos, que faz hemodiálise na unidade há um ano e três meses, contou que se sentiu “muito feliz, muito amada e muito bem tratada” com a ação.

Moradora de Silvanópolis, ela enfrenta uma rotina de cerca de cinco horas de deslocamento, três vezes por semana, para realizar o tratamento em Palmas, mas diz que, mesmo com as limitações trazidas pela doença renal crônica, segue se cuidando e tenta manter a alegria. “Eu me cuido, estou me sentindo bem, sou feliz mesmo assim”, afirmou, ao agradecer também o respeito e a atenção dos profissionais da unidade.

A força de acompanhantes que estão sempre ao lado do paciente

A acompanhante Samara Silva Bezerra, de 31 anos, que estava com o tio em hemodiálise, disse que o momento de cuidado mudou a forma de esperar pelo procedimento. “Achei tudo muito bom”, contou. Ela disse ainda que se sentiu “muito linda” e destacou que o tempo de espera pareceu menor enquanto recebia maquiagem e penteado.

Outra acompanhante, Maria de Jesus Rios da Silva, de 61 anos, que há dez acompanha o esposo em hemodiálise três vezes por semana, também aprovou a iniciativa.

Moradora da região próxima a Pedro Afonso, ela enfrenta viagens de cerca de duas horas e meia para ir e voltar, mas mesmo assim faz questão de estar ao lado do marido em todas as sessões. Sobre a manhã especial na Fundação Pró-Rim, foi direta: “Achei muito bom, gostei de tudo, me senti bem ao receber o cuidado e a atenção dos voluntários.”

Amor, fé e compromisso

A voluntária Leyva Alves, acadêmica de Farmácia, também participou da ação e destacou o impacto de estar perto das pacientes durante o momento de cuidado.

“Contribuir, mesmo que de forma simples, levando cuidado, autoestima e carinho para mulheres que passam pela hemodiálise, tocou profundamente meu coração”, afirmou.

Para ela, o dia foi uma prova da força de quem enfrenta o tratamento.

“Ver o sorriso e a felicidade delas durante a maquiagem mostrou como pequenos gestos podem fazer diferença na vida de alguém. O que mais me marcou foi perceber a força e a coragem de cada mulher presente ali”, completou.

Leyva lembra que, muitas vezes, além do tratamento físico, as pacientes também precisam de apoio emocional e de momentos que as façam se sentir bonitas, valorizadas e acolhidas.

“O que me motiva no voluntariado é justamente isso, poder ajudar pessoas, levar um pouco de amor, atenção e humanização”, disse.

Ela conta que a experiência está diretamente ligada ao profissional que deseja ser. “Como acadêmica de Farmácia, acredito que cuidar da saúde vai muito além dos medicamentos, envolve também empatia, acolhimento e qualidade de vida. Ações como essa reforçam ainda mais o profissional e a pessoa que desejo me tornar”, destacou.

Emocionada, Valquíria contou que a maior recompensa foi ver a reação de quem participou.

“Fico extremamente feliz ao ver o olho brilhando de cada uma ao receber um carinho”, afirmou.

Ela disse ainda que teve a oportunidade de levar algumas mulheres até os maridos e presenciar a alegria do casal, do namoro, que considera tão importante para vencer a doença.

“Se Deus me deu a oportunidade de viver e acompanhar meu marido neste tratamento, quero fazer desse momento o mais feliz possível e, quem sabe, diminuir o sofrimento de quem está na luta também”, completou.

Voluntariado como rede invisível de cuidado

A ação desta quinta-feira se soma a uma rede de iniciativas que, na visão da instituição, vão muito além da máquina. Na Fundação Pró-Rim Tocantins, o voluntariado é parte de uma rede invisível de afeto que ajuda a humanizar o tratamento renal, preenche lacunas sociais e devolve dignidade a centenas de pacientes, com apoio emocional, segurança alimentar, auxílio em medicamentos e transporte.

Para o presidente da Fundação Pró-Rim, Maycon Truppel Machado, essa presença humana é o que sustenta o sentido social do trabalho realizado. Ele afirma que os voluntários traduzem, na prática, a seriedade e o compromisso da Pró-Rim com o cuidado integral.

Segundo Maycon, quando alguém se engaja de forma tão intensa, como Valquíria e outros voluntários, esse compromisso se torna visível para toda a comunidade.

“Os voluntários dão rosto e voz ao trabalho da Pró-Rim e criam uma rede de apoio que vai muito além da máquina”, afirma o presidente.

Na avaliação de Maycon, o voluntariado permite suprir necessidades que vão além do procedimento clínico, garantindo que o paciente possa focar na própria saúde sem abrir mão de condições básicas de dignidade no dia a dia.

Ele destaca que gestos de acolhimento, escuta e presença ajudam a enfrentar o medo, o cansaço e a solidão que muitas vezes acompanham o tratamento renal.

Essa engrenagem solidária também é conduzida pelo setor de voluntariado da Fundação Pró-Rim, que trabalha com a ideia de um voluntariado ativo e transformador.

A proposta é articular pessoas e redes, mobilizar doações, organizar ações e aproximar a comunidade dos pacientes renais, em uma lógica de corresponsabilidade, em que cada gesto, por menor que pareça, ajuda a sustentar essa corrente de cuidado.

Um dia especial para marcar a rotina de tratamento

Além de fortalecer os vínculos entre pacientes, familiares e a equipe, a manhã de beleza reforçou essa visão de que o tratamento é feito de máquinas, mas também de olhares, escuta e presença.

Participaram da ação, ao lado de Valquíria Rezende, os voluntários Mister Adan, Elzivan Souza, Leyva Alves, Lilia Rocha, Fabiana Gonçalves, Maria Eugênia Melo e Charles Gomes Moreira, que dedicaram tempo e talento para transformar a rotina em um dia especial.