A Polícia Civil do Tocantins, por meio da 57ª Delegacia de Polícia de Pium, concluiu o inquérito policial que apurou o duplo homicídio qualificado de Dorvalino das Dores da Silva e Francilene de Souza Reis e Silva, ocorrido no dia 17 de junho de 2025, no assentamento Pericatu, zona rural do município. Ao final das investigações, seis pessoas foram indiciadas pela participação no crime, que foi considerado premeditado, com divisão de tarefas e motivado por vingança.
Motivação e planejamento
De acordo com o apurado, a principal articuladora do crime é J.A.M., ex-companheira do filho das vítimas. Inconformada com o término do relacionamento, ela passou a ameaçar o ex-marido e familiares, chegando a afirmar que iria “fazer ele sentir a mesma dor”. Em uma das ameaças, disse que mataria “seu bem mais precioso”, em referência direta aos pais da vítima indireta.
As investigações revelaram que J.A.M. estruturou toda a ação criminosa. Ela saiu do Estado de Santa Catarina e se deslocou até o Tocantins, onde realizou o reconhecimento prévio do local do crime, acompanhada do executor. Também foi responsável por providenciar a arma de fogo, organizar a logística da execução e realizar pagamentos aos envolvidos, inclusive por meio de transferências bancárias identificadas durante a investigação.
Como parte da estratégia para dificultar a identificação, a investigada criou perfis falsos nas redes sociais por meio do qual ameaçava o ex-companheiro, numa tentativa de fazer parecer que a vítima havia sofrido ameaças de pessoas que não existiam na realidade.
Executor e deslocamento interestadual
O executor dos disparos foi identificado como R.B.B.F., atual companheiro da mandante. Conforme apurado, ele saiu do Estado de Santa Catarina com destino ao Tocantins com o objetivo de executar o plano. Após dias de deslocamento conjunto com a mandante, os dois realizaram o reconhecimento do trajeto até a residência das vítimas, utilizando inclusive uma rota alternativa para evitar suspeitas.
No dia do crime, enquanto J.A.M. se deslocava para outro estado com o intuito de criar um álibi, R.B.B.F. seguiu em direção ao local da execução. Ele foi transportado até as proximidades da residência das vítimas e, ao chegar, desceu da motocicleta, entrou no imóvel e efetuou três disparos de arma de fogo, atingindo fatalmente o casal. Na sequência, retornou ao ponto de apoio e fugiu do local.
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Suporte e fornecimento de arma
A investigação apontou que M.B.S., atuou diretamente no suporte à execução, sendo responsável por transportar o autor dos disparos até o local do crime em uma motocicleta. Ele também intermediou o contato para aquisição da arma de fogo e recebeu valores em dinheiro antes e depois da execução. Em depoimento, confirmou ter ouvido os disparos no momento do crime.
A mandante do crime, o executor e o homem que pilotou a motocicleta foram presos preventivamente no decorrer da investigação e seguem detidos. Eles responderão por homicídio qualificado.
Também foram indiciados outros três homens: G.R.S. ; C.C.R. e D.B.F.. Eles são apontados como responsáveis pela negociação e fornecimento da arma de fogo utilizada na execução, contribuindo de forma direta para a concretização do crime. Os três devem responder a processo por comércio ilegal de arma de fogo e responderão em liberdade.
Provas técnicas e encaminhamento
As diligências demonstraram que o crime foi minuciosamente planejado, com divisão de funções entre os envolvidos, reconhecimento prévio do local e tentativa de ocultação por meio da criação de álibi. A Polícia Civil reuniu um conjunto robusto de provas técnicas, incluindo análise de dados telemáticos, cruzamento de informações de telefonia, registros de deslocamento interestadual, além de quebras de sigilo bancário que evidenciaram a movimentação financeira entre os investigados.
“ A investigação permitiu esclarecer de forma completa a dinâmica do crime, evidenciando o planejamento detalhado, a atuação coordenada dos envolvidos e a motivação que levou à execução das vítimas ”
— destacou a delegada responsável pelo caso, Jeannie Daier de Andrade.
Com a conclusão do inquérito, os autos foram encaminhados ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para as providências legais cabíveis.



