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Influenciadores sem diploma: Nova lei pode gerar multas de até R$50 mil reais

Além dos riscos de induzir o público ao erro, pessoas sem qualificação "informando" sobre temas específicos prejudica a credibilidade de quem realmente tem base para falar de algo, destaca o Pós PhD em neurociências, Dr. Fabiano de Abreu Agrela

Dr. Fabiano de Abreu Agrela
Foto: Divulgação

O crescimento acelerado do mercado de influenciadores digitais colocou em evidência um debate que já vinha ganhando força no Brasil e no mundo, até que ponto pessoas sem formação técnica podem orientar milhões de seguidores sobre assuntos que envolvem saúde, dinheiro e riscos à vida?

Essa discussão ganhou corpo com o recente Projeto de Lei 5990/2025, que começou a tramitar no Congresso no final de 2025 e propõe mudanças significativas na forma como esse tipo de conteúdo é produzido e divulgado.

A proposta tem como objetivo principal limitar a atuação de influenciadores em áreas consideradas sensíveis, exigindo formação acadêmica, certificação técnica ou registro profissional para falar sobre determinados temas.

Caso a proposta de nova lei seja aprovada, ela vai além da lógica atual baseada exclusivamente em alcance e engajamento, colocando a qualificação como critério central para a produção de conteúdo informativo.

Entenda o que muda na prática


O texto do projeto estabelece que influenciadores digitais só poderão abordar assuntos que ofereçam risco direto aos seguidores se comprovarem conhecimento técnico. Entram nesse grupo conteúdos sobre saúde, como medicamentos, terapias e procedimentos médicos; finanças, incluindo investimentos, produtos bancários e serviços financeiros; temas ligados a vícios e riscos, como bebidas alcoólicas, tabaco e apostas; além do agronegócio, especialmente no uso de defensivos agrícolas.

Além da exigência de qualificação, o PL reforça a obrigação de transparência. Influenciadores deverão deixar claro quando o conteúdo for publicitário, informar quem está financiando a divulgação e apontar os riscos envolvidos no consumo do produto ou serviço promovido.

Penalidades previstas na nova legislação


O descumprimento das regras pode gerar consequências relevantes. O projeto prevê advertência com prazo para correção, multas diárias que podem chegar a R$ 50 mil e até a suspensão das contas nas redes sociais por períodos de até 90 dias, com possibilidade de renovação. O foco da proposta é conter a disseminação de desinformação que já resultou em casos de automedicação, prejuízos financeiros e outros danos concretos.

Para o Pós PhD em neurociências, Dr. Fabiano de Abreu Agrela, o impacto da possível nova legislação vai além da punição.

Além dos riscos de ter pessoas sem formação ou qualificação induzir o público ao erro em temas sensíveis, pessoas informando sobre temas específicos prejudicam a credibilidade de quem realmente tem base para falar deles”.

“O cérebro humano tende a confiar em figuras recorrentes e carismáticas, o que amplia muito o potencial de dano quando a informação é incorreta e faz com que informações rasas ou desconexas viralizem com facilidade”, afirma.

Em que fase está o projeto atualmente?
Atualmente, o PL 5990/2025 está em análise na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados. Em janeiro de 2026, ele foi apensado ao PL 2749/2025, que trata de temas semelhantes relacionados à responsabilidade de influenciadores digitais.

O próximo passo da tramitação do projeto de lei será o receber o parecer do relator, deputado Jorge Braz, que poderá recomendar a aprovação, rejeição ou ajustes no texto que foi originalmente apresentando.