No mês de janeiro, é comemorado o Dia Mundial de Luta Contra a Hanseníase, período dedicado à conscientização e ao combate à doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, bactéria que afeta a pele, os nervos periféricos, os olhos e a mucosa nasal.
Com o objetivo de alertar a população, a Secretaria de Estado da Saúde (SES/TO) aderiu à campanha Janeiro Roxo, do Ministério da Saúde (MS), que em 2026 traz o tema “Janeiro a Janeiro: vencer a hanseníase é cuidar do Brasil o ano inteiro”.
A campanha, de abrangência nacional e duração anual, é desenvolvida em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Seu propósito é sensibilizar a sociedade para a eliminação da hanseníase como problema de saúde pública; fortalecer o diagnóstico precoce; aprimorar a assistência especializada e multiprofissional; combater o estigma e a discriminação; ampliar estratégias de Informação, Educação e Comunicação (IEC); e, especialmente na edição de 2026, intensificar a vigilância e o acompanhamento de contatos de casos em menores de 15 anos.
Cenário da hanseníase no Brasil e no Tocantins

O Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de novos casos de hanseníase diagnosticados anualmente. Mesmo com a redução gradual na taxa de detecção ao longo dos anos, os números ainda são expressivos, especialmente em regiões com maior vulnerabilidade social.
O país apresentou uma taxa de 10,68 casos por 10 mil habitantes, sendo classificado como de alta endemicidade. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentam os índices mais preocupantes, com alta ou muito alta endemicidade.
Em 2025, o Tocantins diagnosticou 807 casos novos da doença, sendo 33 em menores de 15 anos. Diante desse cenário, a SES/TO enfatiza a necessidade de que cada gestor municipal organize e desenvolva atividades alusivas e campanhas para o fortalecimento da resposta nacional rumo à eliminação da hanseníase como problema de saúde pública.
Ações previstas durante o Janeiro Roxo
A técnica da coordenação estadual da hanseníase, Dany Monteiro, destaca a programação prevista ao longo do mês.
“A SES/TO, por meio da Superintendência de Vigilância em Saúde, irá apoiar os municípios durante todo o mês de janeiro, em campanhas, informes, divulgação e eventos. No dia 17, estaremos com a Secretaria Municipal de Saúde de Palmas em um evento em alusão à campanha, denominado Dia D da Hanseníase, que ocorrerá no Cmei [Centro Municipal de Educação Infantil] Paraíso Infantil. Já no dia 23, estaremos no município de Porto Nacional participando e apoiando a 1ª Corrida Nacional de Todos Contra a Hanseníase, promovida pela Secretaria Municipal de Saúde de Porto Nacional. A corrida está prevista para iniciar às 18 horas, na orla do município. Nos dias 29 e 30, estaremos participando, em Brasília/DF, do Encontro Nacional da Campanha promovido pelo Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente”, detalha.
“Esta iniciativa integra um esforço ampliado e contínuo de enfrentamento à hanseníase, articulando ações de vigilância, atenção à saúde, comunicação, educação, redução do estigma e fortalecimento da rede de cuidado em todo o território nacional”, finaliza a técnica.
Sinais e sintomas da doença
A população deve ficar atenta às seguintes alterações:
sensação de formigamento, fisgadas ou dormência nas extremidades; manchas brancas ou avermelhadas, geralmente com perda da sensibilidade ao calor, frio, dor e tato; áreas da pele aparentemente normais que apresentam alteração da sensibilidade e da secreção de suor; caroços e placas em qualquer local do corpo; e diminuição da força muscular, com dificuldade para segurar objetos.
Tratamento e prevenção

A hanseníase tem cura e o tratamento é gratuito, realizado nas unidades básicas de saúde. Quanto mais precoce for o diagnóstico, mais simples e rápido é o tratamento, que é feito por via oral, com a associação de dois ou três medicamentos.
A doença não pode ser totalmente prevenida. No entanto, para as formas mais disseminadas, é indicada a vacina BCG, aplicada nos contatos mais próximos do paciente, como medida de proteção para reduzir o risco de infecção.


