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Justiça decreta prisão preventiva de motorista que causou morte de pai e bebê em Araguaína

Investigado estava sob influência de álcool, em alta velocidade e com pneus carecas quando colidiu com motocicleta na BR-153; há suspeita de descumprimento de medidas judiciais em outro processo

Motorista que causou a morte de um pai e de um bebê em Araguaína.
Foto: AN

A Justiça acolheu o requerimento do Ministério Público do Estado do Tocantins (MPTO) e converteu em preventiva a prisão de um motorista que causou a morte de um pai e de um bebê em Araguaína. O trágico acidente ocorreu no perímetro urbano da BR-153 em Araguaína, na manhã de domingo, 14, e o condutor trata-se do mecânico Lucas Rodrigues Monteiro, de 30 anos.

Lucas, segundo o MPTO, estava sob influência de álcool, em alta velocidade e com pneus carecas quando colidiu com uma motocicleta na BR-153; há suspeita de descumprimento de medidas judiciais em outro processo. Ele foi autuado por homicídio doloso com dolo eventual, já que teria assumido o risco de provocar as mortes ao dirigir sob efeito de álcool, em alta velocidade, com pneus desgastados e durante a chuva.

A decisão que converteu a prisão em flagrante em preventiva foi proferida nesta terça-feira, 16, após audiência de custódia. Ao decretar a prisão preventiva, a Justiça destacou que o fato causou “comoção social” e que medidas cautelares diversas da prisão seriam insuficientes.

O acidente ocorreu no último domingo, na BR-153, em Araguaína, e resultou na morte de Caio Pinheiro Rocha, de 22 anos, e de seu filho, um bebê de apenas dois meses. A mãe da criança, Winglidy Soares Magalhães da Silva, de 20 anos, sofreu ferimentos graves e foi hospitalizada.

Histórico do investigado

Um dos pontos considerados para a prisão preventiva foi o histórico do investigado, que já responde a outro processo criminal. Há suspeita de que ele tenha descumprido medidas impostas naquele processo, como a proibição de frequentar bares e locais que comercializem bebidas alcoólicas. Segundo o promotor de Justiça Daniel José de Oliveira Almeida, o comportamento do motorista demonstra "periculosidade social" e indícios de “reiteração delitiva”.

A perícia da Polícia Rodoviária Federal constatou que o carro não deixou marcas de frenagem na pista, o que reforça a hipótese de assunção do risco pelo condutor. O pneu dianteiro esquerdo estava excessivamente desgastado, o que agravou o risco de acidente, ainda mais considerando que o investigado é mecânico e tinha conhecimento técnico sobre o estado do veículo.

De acordo com o parecer do MPTO, o motorista conduzia um Ford Ka em velocidade superior à permitida, com "fortes indícios de capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool". O caso foi encaminhado para a Vara do Tribunal do Júri, por se tratar de crime doloso contra a vida.

Em depoimento ao delegado Felipe Crivellaro, o mecânico Lucas falou sobre o acidente fatal que provocou e admitiu o erro: “Sei que fui errado. Eu não vou saber explicar para o senhor, me perdoe”, disse o motorista Lucas, ao ser interrogado pelo delegado Felipe.

“Estou arrependido, moço. Não me lembro [como aconteceu], foi muito ligeiro. Não era que eu estava muito rápido. É que foi muito ligeiro, rápido demais”, explicou o motorista, negando ter bebido muito antes do acidente.