Política

Justiça Eleitoral manda pré-candidato ao governo do TO remover vídeos por propaganda antecipada

TRE/TO acolheu pedido do MP Eleitoral e entendeu que conteúdos postados desde janeiro configuram propaganda eleitoral antecipada

Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE/TO)
Foto: Divulgação

O Ministério Público (MP) Eleitoral obteve decisão liminar favorável do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE/TO) para a remoção imediata de vídeos do pré-candidato ao governo do estado Ataídes de Oliveira. A representação aponta que o empresário postou conteúdos em redes sociais que caracterizam propaganda eleitoral antecipada.

A decisão, proferida nesta terça-feira (5), estabelece um prazo de 24 horas para a retirada do material, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.”

O MP Eleitoral ajuizou a representação após identificar a veiculação, desde janeiro de 2026, de vídeos com alto padrão de produção. É perceptível a utilização de cenário de estúdio, iluminação controlada, áudio tratado e edições complexas. As publicações apresentam propostas detalhadas de governo e utilizam linguagem que sugere o exercício futuro do cargo.

De acordo com o procurador Regional Eleitoral Auxiliar Álvaro Lotufo Manzano, os vídeos reproduzem elementos típicos de propaganda eleitoral, com estética semelhante à de campanha oficial e uso de simbologia institucional.

O material também apresenta promessas administrativas concretas, citando metas e investimentos com elevado grau de detalhamento. Para o MP Eleitoral, o conjunto de fatores configura pedido implícito de voto e caracteriza vantagem indevida em relação a outros possíveis candidatos.

“Ao detalhar metas específicas, o representado extrapola o mero debate de ideias. O impacto é direto: o eleitor recebe a mensagem de uma candidatura já oficializada, com promessas administrativas concretas e imediatas. Isso gera um desequilíbrio eleitoral precoce, pois o representado captura a atenção do eleitorado com estrutura de campanha oficial meses antes do permitido por lei”, argumenta Manzano.

Ao analisar o caso, o TRE entendeu que os conteúdos ultrapassam os limites legais. A decisão liminar reconhece que a legislação permite a manifestação de pré-candidatos antes da campanha, mas destaca que não pode haver uso de meios típicos de propaganda eleitoral antecipada e que deve ser respeitado o equilíbrio entre os concorrentes.

Fundamentos da decisão

A decisão ressaltou que os vídeos apresentam características de produção profissional, com cenário controlado e presença de simbologia institucional. Além disso, o tribunal considerou que são utilizadas expressões que projetam o exercício do cargo e linguagem direcionada ao eleitorado. De acordo com a liminar, as condutas excedem os limites legais e violam o princípio da equidade na disputa.

Penalidades e proibições

Além da remoção dos vídeos, o representado deverá se abster de publicar conteúdos de teor semelhante. Ao final do processo, o MP Eleitoral requer a aplicação de multa em valor não inferior ao dobro do mínimo legal, considerando a gravidade da conduta, a capacidade econômica do representado e o potencial lesivo ao equilíbrio do pleito no estado.

Segundo exposto na representação, o elevado investimento na produção indica que uma penalidade simbólica seria ineficaz para coibir a reiteração do ilícito.

O MP Eleitoral

O órgão é composto por membros do Ministério Público Federal (MPF) e dos Ministérios Públicos Estaduais (MPs). O procurador-geral da República exerce a função de procurador-geral Eleitoral perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e indica membros do MPF para também atuarem no TSE e nos Tribunais Regionais Eleitorais (procuradores regionais eleitorais, que chefiam o MP Eleitoral nos estados). Os promotores eleitorais são membros dos MPs estaduais que exercem as funções por delegação do MPF.

Representação por propaganda eleitoral antecipada nº 0600050-10.2026.6.27.0000
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