Ao todo, 351 cursos de medicina participaram da avaliação em todo o país. Desses, 107 ficaram nas faixas 1 e 2, consideradas insatisfatórias.
Foto: Divulgação O Ministério Público do Tocantins (MPTO) instaurou, nesta terça-feira (20), um procedimento para apurar possíveis irregularidades no curso de medicina da Universidade de Gurupi (UnirG), após a instituição obter nota 2 — considerada insatisfatória — em avaliação recente do Ministério da Educação (MEC).
A apuração é conduzida pela 6ª Promotoria de Justiça de Gurupi, que atua nas áreas de defesa do consumidor e da saúde. A portaria é assinada pelo promotor de Justiça Marcelo Lima Nunes.
De acordo com o MPTO, o resultado no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed 2025), cuja pontuação varia de 1 a 5, indica que os estudantes não atingiram o nível mínimo de conhecimento esperado para o exercício da profissão. As faixas 1 e 2 são consideradas insuficientes pelo MEC.
Além do baixo desempenho, o Ministério Público levou em conta o valor da mensalidade do curso, que chega a R$ 6.684,65, e a divulgação institucional de que a universidade oferece formação com “excelência técnico-científica e humanitária”. Para o órgão, esses fatores podem caracterizar possível quebra de contrato e propaganda enganosa.
O MPTO também destacou que a formação inadequada de médicos representa risco direto à população, por aumentar as chances de erros de diagnóstico e de tratamentos incorretos.
Vistorias e prazos
Como primeira medida, a Promotoria solicitou que o Conselho Regional de Medicina (CRM) e o Conselho Estadual de Educação realizem vistorias no campus da UnirG, em Gurupi, e elaborem relatórios apontando eventuais falhas que comprometam a qualidade do curso, além de sugerirem providências para corrigir os problemas encontrados.
O prazo para entrega dos relatórios é de até 45 dias.
Entenda
Além da UnirG, outros dois cursos de medicina no Tocantins também receberam nota 2 no Enamed 2025. São eles: o Centro Universitário Afya de Araguaína e a Afya Faculdade de Porto Nacional.
Ao todo, 351 cursos de medicina participaram da avaliação em todo o país. Desses, 107 ficaram nas faixas 1 e 2, consideradas insatisfatórias. Entre eles, 24 obtiveram nota 1, a mais baixa, e 83 receberam nota 2.
Cursos com conceito 2 ficam impedidos de ampliar o número de vagas e não podem firmar novos contratos do Fies e do Prouni. Já aqueles com nota 1 podem sofrer medidas mais severas, como redução de vagas e até suspensão de vestibulares a partir de 2026.
O Enamed foi aplicado em outubro de 2025 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e tem como objetivo avaliar a qualidade da formação médica oferecida pelas instituições de ensino superior no país.


