O Pronto Atendimento Infantil (PAI), em Araguaína, registrou mais de 93 mil atendimentos realizados nos anos de 2024 e 2025, e o que chama atenção é que mais de 50% desse total foram classificados como pouco urgente ou não urgente, representados pelas pulseiras verdes e azuis, respectivamente.
De acordo com a Dra. Elena Medrado, diretora técnica do PAI, unidade gerida pelo Instituto Saúde e Cidadania (ISAC), o quadro clínico apresentado por pacientes classificados nessas pulseiras é compatível com o atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
“ Quando a característica do quadro clínico imediato é estável e pode aguardar de duas horas a até quatro horas, de acordo com os critérios do protocolo internacional usados para fazer a triagem, estamos dizendo que este paciente não possui urgência e não está em situação de emergência, portanto, pode buscar atendimento em uma UBS ”
— explica.
Em 2024, dos 46.419 atendimentos realizados, 27.043 (58,26%) foram de pacientes classificados com pulseiras verdes e azuis. Já em 2025, de um total de 46.834 atendimentos feitos, 25.002 (53,38%) receberam as respectivas pulseiras.
A diretora reforça que a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) é complexa e que cada dispositivo tem seu papel.
“ Quanto mais conseguirmos fazer com que a população busque pelos dispositivos mais adequados para cada caso, mais autonomia estaremos dando a ela, assim como uma melhor resolutividade para a situação clínica ”
— acrescenta.
Espera varia conforme fluxo de urgência e emergência
A Dra. Elena também explica que, por ser uma unidade de urgência e emergência 24 horas, o PAI pode parecer a solução mais simples quando se busca um atendimento mais imediato. Entretanto, a médica lembra que esse comportamento muitas vezes atrasa a busca por um tratamento adequado e especializado.
“ Por sermos uma unidade de estabilização e encaminhamento para alta complexidade, nosso foco é avaliar os riscos imediatos à vida, intervir e, quando necessário, encaminhar para o Hospital Municipal de Araguaína para uma investigação aprofundada, caso os sintomas do paciente não melhorem com a intervenção. Por outro lado, não é possível fazer o acompanhamento do caso como acontece em uma UBS ”
— pontua.
Acompanhamento adequado na Atenção Básica
A diretora ressalta ainda que os quadros de repetição que só são medicados no PAI poderiam estar sendo melhor acompanhados pela Atenção Básica e especialidades.
“ Um exemplo disso é quando um paciente tem um quadro de febre baixa ou sintomas como diarreia e vômito. No PAI, ele é medicado, mas não é investigado e encaminhado para um especialista para exames mais complexos. Neste caso, a criança pode estar deixando de receber o tratamento mais adequado ”
— ressalta
De todo modo, a pediatra finaliza reiterando que, no PAI, o paciente não urgente ou pouco urgente não fica sem atendimento ou orientações adequadas.
“ Dependendo do fluxo dos casos de urgência e emergência, no momento em que esse paciente menos urgente dá entrada na unidade, a espera vai ser mais prolongada, mas será atendido ”
— conclui.



