Ação Policial

Voluntário tocantinense morre na guerra na Ucrânia e família vive a angústia do luto sem o corpo

Eliseu Delis Pereira Martins, natural de Miracema, deixou a Bélgica para ser voluntário; mãe vive luto sem corpo: "é uma dor que não se explica"

Eliseu Delis Pereira Martins, de 32 anos, morreu em combate na guerra entre Ucrânia e Rússia
Foto: Reprodução/ G1 Tocantins/divulgação

O tocantinense Eliseu Delis Pereira Martins, de 32 anos, morreu durante combate na guerra entre Ucrânia e Rússia. A última vez que entrou em contato com a família, que mora em Palmas (TO), foi no dia 13 de abril e a morte foi confirmada no dia 29 de abril.

Natural de Miracema, Eliseu morava em Palmas e trabalhava como autônomo. De acordo com a família, em março deste ano ele saiu da Bélgica e foi para a Polônia, após uma proposta de ser voluntário da guerra.

Relato da mãe

A mãe de Eliseu, dona Joana Maria Martins, moradora de Palmas, relatou que, apesar de sua contrariedade, o filho se inscreveu para ser voluntário da guerra. E agora ela vive a angústia de perder o filho no combate e sequer ter a oportunidade de dar o último adeus, pois o corpo deve ficar onde “tombou”.

É uma dor que não se mede. É uma dor que não se explica. Já é difícil para uma mãe enterrar um filho. Mas quando ela tem o corpo dele, acesso ao caixão, a gente sabe que [deixou] ali no lugar no cemitério. (...) O meu estou vivendo um luto sem corpo. Um luto sem caixão

— declarou dona Joana, à Rádio News de Palmas.

Destino na guerra

A pretensão era participar da reconstrução de uma cidade da Ucrânia, destruída nos bombardeios russos. Ele iria passar por um treinamento de 60 dias, mas ao chegar lá foi destinado para a linha de frente da guerra. No dia 29 de abril, ela recebeu a triste notícia.

“Recebi uma mensagem dizendo ‘infelizmente o Eliseu tombou’. E eu perguntei, e o corpo? A gente não traz. É um acesso muito perigoso, não vamos lá. Lá onde ele tombou ele fica. Mais ou menos seis meses a gente vai lá colher os ossos, fazer o DNA e pagar a roupa dele”, lamentou a mãe.

Trajetória

Foto: Divulgação

O tocantinense, natural de Miracema do Tocantins, estava na Europa desde janeiro de 2025 e decidiu se inscrever para atuar na guerra em dezembro do mesmo ano. Eliseu só foi para a Ucrânia em março de 2026. Ele deixa duas filhas.