Muitas vezes subestimada no manejo nutricional, a água é, na prática, o principal alimento do gado. Um bovino pode ingerir água várias vezes ao dia e qualquer limitação à sua ingestão, seja por sujeira, odor ou temperatura inadequada, reduz o consumo de matéria seca, impactando diretamente o ganho de peso e a eficiência produtiva.
No Tocantins, onde as altas temperaturas e os sistemas extensivos de produção exigem atenção redobrada ao manejo, a qualidade da água ofertada ao rebanho tornou-se um fator estratégico para a produtividade e a rentabilidade da pecuária. Água limpa e de fácil acesso influencia não apenas o desempenho zootécnico, mas também a saúde, a reprodução e o bem-estar dos animais.
Na prática, bovinos tendem a rejeitar fontes de água contaminadas, comuns em açudes, represas ou córregos sem proteção adequada. Esse comportamento tem impulsionado a adoção de bebedouros como principal fonte de abastecimento nos sistemas produtivos mais eficientes, já que permitem maior controle da qualidade da água, favorecem o consumo regular e reduzem riscos de contaminação.
Outro aspecto relevante é a distância entre os animais e os pontos de água. Em áreas de pastagem, longos deslocamentos diários aumentam o gasto energético e comprometem o ganho de peso. Por isso, a distribuição estratégica dos bebedouros e a manutenção periódica dessas estruturas são medidas fundamentais para melhorar o desempenho do rebanho e otimizar o uso das áreas de pastejo.
Para a Associação de Pecuaristas do Tocantins – Novilho Precoce, o manejo adequado da água integra um conjunto de boas práticas que fortalecem a produção responsável e a qualidade da carne.
“A associação orienta permanentemente seus associados a tratarem a água como um insumo estratégico da produção. Água limpa, bem distribuída e manejada corretamente reflete diretamente no desempenho do rebanho, na sanidade e na valorização da carne produzida no Tocantins”, afirma o presidente da entidade, Fernando Penteado.
Essa orientação é reforçada pelo médico-veterinário e zootecnista Adilson Alves, conselheiro do CRMV-TO. Segundo ele, os animais apresentam sinais clínicos visíveis quando a água disponível compromete o desempenho produtivo. “Redução no consumo de água e de alimento, diarreias, sinais de desidratação, pelagem sem brilho, problemas reprodutivos e até aumento da mortalidade, principalmente em animais jovens, são indicativos de água de baixa qualidade”, explica.
Adilson destaca ainda que tratar a água como nutriente é um passo decisivo para quem busca melhorar os índices produtivos.
“Água de má qualidade ou de difícil acesso pode reduzir o ganho de peso em até 90 gramas por animal ao dia. A adoção de bebedouros bem localizados, com limpeza regular e vazão adequada, faz diferença direta no desempenho do rebanho, sobretudo nos períodos de seca”, completa.



