O Ministério Público do Tocantins (MPTO) ofereceu denúncia, nesta segunda-feira, 26, contra uma influenciadora digital residente em Porto Nacional. A acusação aponta a prática dos crimes de exploração de jogos de azar e lavagem de dinheiro.
De acordo com o promotor de Justiça Célio Henrique Souza dos Santos, a denunciada utilizava seu alcance nas redes sociais, especialmente no Instagram, para promover, de forma ostensiva, o "jogo do tigrinho". O MPTO afirma que ela agia com "nítido intuito de lucro ilícito", ostentando um padrão de vida luxuoso para induzir seguidores a erro e atrair novas vítimas.
As investigações revelaram que a influenciadora movimentou uma quantia de mais de R$ 9,5 milhões por meio de uma empresa que, segundo a denúncia, funcionava apenas como "empresa de fachada", destinada exclusivamente ao recebimento de ativos ilícitos.
O promotor de Justiça destaca no documento a discrepância entre a renda lícita declarada pela investigada de aproximadamente R$ 3 mil mensais como dentista e o fluxo financeiro administrado por ela.
Ocultação de valores e uso de "laranjas"
Para dificultar o rastreamento do dinheiro, a denunciada realizava saques vultosos em espécie, chegando a retirar R$ 100 mil em apenas dois dias. A denúncia aponta ainda que ela utilizou o ex-companheiro como "laranja", utilizando suas contas bancárias e uma empresa física (uma churrascaria) para integrar o capital ilícito à economia formal.
Confisco de bens
Diante da desproporção entre o patrimônio e os rendimentos comprovados, o Ministério Público requereu o perdimento de diversos bens adquiridos com o proveito das infrações.
Entre os itens listados para confisco, estão:
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Fazenda localizada em Brejinho de Nazaré, adquirida por R$ 2 milhões;
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Veículo Toyota Hilux SW4 e um Ford Ka;
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93 cabeças de gado bovino e dois equinos;
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Maquinário agrícola e antenas Starlink;
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Ativos financeiros bloqueados que somam R$ 279.509,88.
Na denúncia, o promotor de Justiça reforça que a acusada estruturou um "sofisticado esquema" e solicita a aplicação do "confisco alargado", ou seja, que ela perca a diferença entre o valor do patrimônio real dela e aquele que seria compatível com seu rendimento lícito.
O processo agora segue para análise da 2ª Vara Criminal da Comarca de Porto Nacional.



