O Laboratório de Águas de Araguaína (Laboara), órgão municipal responsável por acompanhar e monitorar a qualidade da água nos ribeirões, córregos, rios e lagos da cidade, iniciou a testagem de uma sonda de monitoramento instantâneo da água que abastece o município. O equipamento está sendo desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) e o Instituto Federal do Tocantins (IFTO).
A sonda é um equipamento multiparamétrico fixado em um ponto estratégico, que mede indicadores físicos e químicos em tempo real. Ela otimiza a coleta de dados pelos cientistas, que recebem as informações no laboratório em tempo real pela internet.
“O equipamento avalia a qualidade da água em tempo recorde. No modelo tradicional, nossos técnicos precisam percorrer todos os pontos para fazer coletas periódicas de amostras e após isso realizar os testes em laboratório. Os novos equipamentos funcionam como os olhos imediatos da fiscalização no campo. A tecnologia irá permitir, por exemplo, a identificação imediata de um despejo irregular no lago e em qualquer corpo hídrico da cidade, possibilitando a atuação eficaz das equipes de fiscalização”, explica o secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Agricultura, Meio Ambiente e Turismo, Joaquim Quinta Neto.
Inovação tecnológica
O equipamento vem sendo desenvolvido desde 2024 pelos alunos de nível médio do IFTO, orientados pelo professor Alexandre Vilas Boas.
"Esse protótipo surgiu durante o Hackathon da Campus Party Goiás, em 2024, focado em soluções para as mudanças climáticas. Apresentamos a proposta ao município e iniciamos uma rede de diálogos com conselhos ambientais, pesquisadores e o Ministério Público. O projeto se desenvolveu no laboratório IFMaker do instituto e hoje apresentamos um protótipo viável e funcional, pronto para iniciar operações e passar por novas interações”, afirma o professor.
Os estudantes criaram uma startup e estão patenteando o equipamento, que deverá ser utilizado pela Prefeitura de Araguaína para monitorar pontos estratégicos dos cursos hídricos da cidade.
“É uma experiência incrível, não se trata apenas de um projeto acadêmico, mas do nascimento de uma startup. Nós alunos, mesmo menores de idade, já iremos sair do ensino médio técnico como sócios dessa empresa. Já fomos aprovados na primeira fase do edital Centelha e buscamos novos recursos para produzir em larga escala. O interesse pelo nosso monitoramento já ultrapassou fronteiras, atraindo inclusive a atenção de empresas de tratamento de água e esgoto do Maranhão", conta o estudante Samuel Orione, de 16 anos.
Trabalho do Laboara
O Laboratório de Águas de Araguaína atua como o centro de inteligência ambiental do município, sendo responsável por ditar quais mananciais estão aptos para o lazer da população e livres de contaminação.
Atualmente, a estrutura científica monitora de forma sistemática 40 pontos de interesse público em rios, córregos, ribeirões e lagos que cortam a região. Desse total mapeado, 28 áreas específicas de banho recebem atenção contínua e prioritária das equipes técnicas para garantir a segurança sanitária dos frequentadores desses espaços naturais.
Uma das principais frentes de atuação do órgão ocorre por meio do Projeto Banhar Araguaína, focado no rígido controle microbiológico das águas. Os pesquisadores concentram os esforços na quantificação de bactérias para a emissão dos alertas oficiais de balneabilidade das praias e balneários da cidade. Esse diagnóstico preciso impede o contato da população com agentes patogênicos e direciona as ações de saneamento para as áreas mais vulneráveis da zona urbana e rural.
Em paralelo às análises de balneabilidade, o Laboara funciona como uma barreira técnica contra crimes ecológicos por meio do Projeto Monitorágua, que atua no rastreamento e na identificação do descarte irregular de esgoto doméstico e de resíduos industriais sem o devido tratamento.
“O monitoramento contínuo serve como um escudo de proteção para ecossistemas fundamentais e historicamente pressionados pelo crescimento urbano, como o Rio Lontra e o Lago Azul. O robusto banco de dados gerado pelos cientistas do Laboara dá o suporte técnico necessário para as ações de fiscalização e aplicação de sanções por parte da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Além disso, as análises químicas e biológicas realizadas na bancada do laboratório orientam os projetos de recuperação de nascentes e as políticas públicas de planejamento urbano”, ressalta a coordenadora do Laboara, Giovanna Campos.




