O aumento dos casos de dengue em Araguaína (TO) tem gerado preocupação entre a população e as autoridades sanitárias. De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, Araguaína segue registrando aumento do número de casos confirmados de Dengue, com crescimento de aproximadamente 20% nos casos confirmados em apenas uma semana, passando de 1.751 casos até o último dia 12, para 2.067 até o dia 19 de março.
Aumento de 625% nos registros
A médica especialista em Saúde da Família e Comunidade Isabela Macedo, que atua como chefe da Divisão Médica no Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), ressalta que houve aumento de 625% nos registros quando comparados ao mesmo período de janeiro de 2025.
“Araguaína tem vivenciado uma epidemia de dengue, com 3.309 casos notificados e três óbitos nesse período. Entre os casos confirmados, 104 apresentam sinais de alarme”, comenta a médica.
Muitas dessas ocorrências foram atendidas pelo HDT-UFNT, referência em doenças infectocontagiosas para toda a região norte do Tocantins, sul do Pará e parte do Maranhão.
“A dengue tem provocado aumento expressivo do adoecimento da população de Araguaína, especialmente em períodos de maior circulação do vetor. Esse cenário resulta em grande número de pessoas com febre, dores intensas e outros sintomas que exigem avaliação médica, acompanhamento clínico e, em alguns casos, internação hospitalar”, afirma Isabela.
Elevação da demanda
A especialista explica que, como consequência desses números, ocorre uma sobrecarga significativa nos serviços de saúde, com aumento da procura por atendimentos em unidades básicas, prontos atendimentos e hospitais. “Essa elevação da demanda pressiona a capacidade assistencial, exige reorganização de leitos, ampliação do monitoramento clínico dos pacientes e maior utilização de insumos e recursos da rede de saúde”, contextualiza.
De acordo com a médica, ao apresentar os primeiros sintomas da dengue - como febre, dor no corpo, dor de cabeça e mal-estar - é fundamental procurar atendimento médico, manter boa hidratação, preferencialmente com água, soro de reidratação oral ou líquidos claros, além de repousar e evitar medicamentos que possam aumentar o risco de sangramento, como anti-inflamatórios e ácido acetilsalicílico.
Acompanhamento e sinais de alerta
Isabela informa que o tratamento da dengue é principalmente de suporte, pois não há medicamento específico contra o vírus.
“O manejo consiste em hidratação adequada, repouso e controle da febre e da dor, evitando medicamentos que aumentem o risco de sangramento. Nos casos leves, o acompanhamento pode ser feito de forma ambulatorial. Já nos quadros com sinais de alerta ou complicações, torna-se necessária a internação hospitalar para hidratação venosa e monitoramento clínico, com o objetivo de prevenir agravamento e garantir a recuperação do paciente”, pontua.
O combate à doença exige envolvimento coletivo e medidas contínuas de prevenção. “Se cada um fizer a sua parte, cuidando das suas casas, juntamente com o apoio do município em medidas de prevenção, combate e vigilância, conseguiremos conter a doença”, declara a médica.
Segundo a especialista, o atendimento em uma unidade de saúde deve ser procurado imediatamente após o início dos sintomas, a fim de garantir avaliação médica segura e orientação adequada. “Caso surjam sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramentos e sonolência excessiva, é preciso procurar atendimento com urgência, pois podem indicar agravamento da doença”, finaliza a especialista.



