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Dezoito homens ganham nova chance de recomeçar após 6 meses de tratamento na UAA de Araguaína

Neumarques Correia Sá foi um dos 18 homens que finalizaram seis meses de acolhimento na Unidade de Acolhimento Adulto de Araguaína, serviço gratuito da Prefeitura que já atendeu mais de 430 pessoas desde 2017

Na UAA, os acolhidos participam de atividades laborais, como o cultivo de hortas, cuidados com o pesqueiro, além de cursos profissionalizantes
Foto: Thiago Santos/SECOM Araguaína

Quando ainda era menor de idade, por influência das "amizades", Neumarques Correia Sá teve contato com as drogas pela primeira vez. Começou fumando maconha, passou para a bebida e terminou no crack. Foi quando ele conheceu o fundo do poço e decidiu buscar ajuda.

"Minha vida estava um caos, além de eu estragar a minha, estava prejudicando demais a da minha mãe. Eu me olhava no espelho e me via acabado. As pessoas não respeitam o usuário de drogas, discriminam, eu não conseguia mais arrumar emprego. Eu sofria e minha mãe sofria também", contou Neumarques.

Ele faz parte da turma de 18 novos homens que concluíram o tratamento de seis meses na Unidade de Acolhimento Adulto de Araguaína, serviço municipal público gratuito voltado para a recuperação de usuários de álcool e outras drogas.

"Aqui nós somos muito bem acolhidos, temos médicos, psicólogos, temos todo o apoio que precisamos. Não existe um lugar no Tocantins igual esse aqui, o tratamento aqui é diferenciado", reforçou Neumarques.

Acolhimento para o usuário e família

A certificação foi realizada no último domingo, 14 de junho, na sede do serviço e na presença de familiares, amigos e autoridades convidadas. Wagner Enoque, coordenador da UAA, ressaltou que tanto o dependente químico quanto a família chegam para o tratamento quase sem esperança nenhuma.

"É nossa missão resgatar os valores que um dia foram perdidos. Nós fazemos um trabalho diário de atenção com essas pessoas, de qualificá-las, de levantar a autoestima por meio de uma fala positiva, dizendo que vai dar certo, que o tratamento é eficaz, que a pessoa vai ter a oportunidade de voltar a viver com qualidade", pontuou o coordenador.

Na UAA, os acolhidos participam de atividades laborais, como o cultivo de hortas, cuidados com o pesqueiro, além de cursos profissionalizantes. Iniciado em 2017, o serviço já atendeu mais de 430 homens com dependência em álcool e outras drogas.

Tratamento gratuito e voluntário

O tratamento é voluntário e 100% gratuito, mantido pela Prefeitura de Araguaína, por meio da Secretaria Municipal da Saúde. A porta de entrada para a unidade é pelo CAPS ADIII (Centro de Assistência Psicossocial – Álcool e Drogas), que faz a primeira avaliação e depois encaminha o paciente para a unidade.

"Isso mostra a preocupação e a valorização que o Município dá aos acolhidos. Eles ficam na UAA durante seis meses sendo assistidos por uma equipe multidisciplinar com médicos, psicólogos, terapeutas e enfermeiros para dar toda a assistência a essa família, porque não é só o acolhido, nós também tratamos a família desses acolhidos", destacou a secretária de Saúde de Araguaína, Dênia Rodrigues Chagas.

Um futuro mais confiante

O coordenador Wagner Enoque lembra que muitas famílias se culpam por alguns de seus membros entrarem para o mundo do álcool e das drogas e que o trabalho após o tratamento é contínuo, garantindo que os recuperados não tenham recaídas.

"Por isso oferecemos esse acompanhamento, trabalhamos para reforçar o vínculo familiar mesmo, porque o tratamento não é só em seis meses, o tratamento é para o resto da vida. E o suporte da família é fundamental nesse processo", disse Wagner.

"Daqui para frente, é erguer a cabeça, procurar um emprego e me manter na igreja com minha mãe. Ela me criou sozinha, ela cuidou de mim até hoje, então agora é hora de eu cuidar dela", concluiu Neumarques, que pretende voltar a exercer os ofícios de serralheiro e pintor.