“Dentro da natureza está a preservação do mundo”.
David Henry Thoreau
Para os antigos gregos a principal figura de proteção para com a vida natural – leia-se NATUREZA – estava personificado na divindade de Ártemis. A deusa protetora das florestas e das colinas, da caça, do luar e das canções, mais do que a própria titã Gaia. A deusa era reverenciada por todos aqueles que se aventuravam dentro das estepes, montanhas e planícies em busca de refúgio e alimento.
A dádiva da deusa aos aqueus – gregos – era dada em forma de descanso, deleites e boa refeição. A deusa sempre olhou com bons olhos aqueles que lhe pediam intercessão, mas também punia com pulso firme os helênicos que maltratavam o seu “jardim”.
Atualmente poucos se recordam do nome da deusa helênica, mas aquilo que ela protegia e cuidava ainda permanece firme em nosso imaginário: a NATUREZA. O substantivo é por vezes abstrato ao grande público, pois a palavra “NATUREZA” é polissêmica e em seu interior há várias abstrações que podem ser invocadas a partir do contexto empregado.
Logo, NATUREZA é ao mesmo tempo: 1) o ambiente em que vive o ser humano; 2) a essência dos seres e/ou estado condição; 3) modo de ser ou de viver, e a lista se expande por outras categorizações/definições. O fato é que tudo ao nosso redor – do interior ao exterior – pode ser compreendido a partir do prisma da NATUREZA.
A data esquecida
Cabe ressaltar que em um mundo cada vez mais hiperconectado e acelerado como o nosso, a NATUREZA – entendida aqui como objeto a ser analisado e investigado – é geralmente reduzida a espaços de formação formal: escolas, universidades ou centros de formação.
A própria escolha do dia 5 de junho como o Dia Mundial do Meio Ambiente (desde 1973) passa por muitos de forma despercebida e desconexa. A data e a nomeação da comemoração surgem como instrumento de resistência e de luta para com a proteção do Meio Ambiente. Geralmente, esse “dia festivo” pode ser tratado/discutido como elemento pedagógico nas escolas ou por pequenos comentários em redes sociais por entidades ou grupos ligados à temática ambiental.
As iniciativas desenvolvidas pelos entes – União, Estado e Municípios – ao que é costumeiramente chamado de “currículo verde” pautado nas diretrizes da Educação Ambiental ainda está longe do ideal.
Os documentos da Educação do Estado do Tocantins, a título de exemplo, direcionam a responsabilidade pelo letramento ambiental apenas aos docentes da área da Ciências da Natureza para com os estudantes. Porém, o que se observa ainda são ações pontuais e um olhar bastante sintético sobre a educação ambiental dentro das escolas.
Evidentemente que há ações sendo realizadas por professores nas salas de aula, contudo, há ainda ausência de pesquisas, formações específicas e falta de materiais didáticos (desde livros a itens pedagógicos). Cenário esse que resulta, em grande medida, em ações protocolares da área das Ciências da Natureza que, por vezes, na correria do dia a dia na escola surtem pouco efeito no imaginário coletivo dos estudantes.
Sobre uma ecopedagogia crítica
A ecopedagogia crítica, portanto, não surge apenas como um elemento adicional no currículo, mas sim como prática e letramento ambiental. Inserir ao longo do ano letivo práticas de sustentabilidade, respeito e integração ao Meio Ambiente é promover a conscientização no alunado sobre a importância da preservação ambiental.
As possibilidades de temáticas para com o ambiente escolar são inúmeras, destaco aqui: a construção de uma horta comunitária na escola, reciclagem de material escolar, nutrição infantil, combate a doenças sazonais, arborização, viveiros, uso consciente dos recursos hídricos da escola, estudos sobre a cultura popular e tradicional por bioma e não por regiões, entre outras iniciativas que contribuam para o letramento ambiental.
O que defendo aqui, por fim, é a aplicação de uma cultura escolar pautada no currículo verde a partir do letramento ambiental. A ecopedagogia não como resultado de uma prática pontual direcionada por datas, mas como cotidiano escolar.
Os desafios para a implementação são vários, contudo, é possível, dando um passo de cada vez, inserir no ambiente escolar um outro olhar sobre a NATUREZA que nos rodeia. Com certeza, a deusa Ártemis ficaria feliz.




