Em nota, o Instituto Saúde e Cidadania (ISAC) se manifestou sobre a matéria intitulada “Trabalhadora da UPA de Araguaína denuncia superlotação, falta de equipe e salários atrasados: ‘Estamos adoecendo’”, publicada na manhã desta segunda-feira, 12, pelo portal Araguaína Notícias. A Prefeitura de Araguaína também se posicionou sobre o tema abordado na publicação.
A matéria reuniu depoimentos de funcionários que procuraram a reportagem para relatar a rotina enfrentada na unidade. Segundo denúncia de uma trabalhadora, a UPA estaria operando muito acima da capacidade, com todos os setores lotados e pacientes em estado grave sendo mantidos em espaços sem a estrutura mínima necessária.
“A estrutura da unidade não comporta a quantidade de atendimentos atuais. Todos os setores permanecem lotados, com pacientes em estado grave sendo mantidos em locais inadequados”, frisou a trabalhadora, sob condição de anonimato.
Posição do ISAC
Por meio de nota, o ISAC informou que a gestão da UPA Anatólio Dias Carneiro reconhece o momento desafiador enfrentado por toda a rede de urgência e emergência, realidade que, segundo a instituição, não é exclusiva da unidade nem do município.
“Trata-se do reflexo de um período de alta demanda assistencial, marcado por aumento expressivo de atendimentos, sazonalidade de doenças e sobrecarga do sistema de saúde em todo o país”, diz o comunicado.
Sobre a situação dos pacientes em estado grave mencionada na matéria, o instituto afirmou que a informação não procede.
“Não procede a informação de que pacientes estejam sendo mantidos em locais inadequados ou sem condições assistenciais”, destaca a nota.
Ainda conforme o ISAC, a UPA dispõe de espaços estruturados, seguros e compatíveis com sua finalidade, atendendo às exigências técnicas e aos protocolos nacionais.
“Como unidade de estabilização, os pacientes graves permanecem pelo tempo necessário até a autorização de transferência pela regulação para unidades de alta complexidade de referência, respeitando rigorosamente o fluxo assistencial estabelecido pelo sistema de saúde.”
Atraso salarial
Em relação ao atraso salarial, o ISAC esclareceu que os pagamentos aos profissionais estão diretamente vinculados aos repasses financeiros realizados pelo ente contratante, ou seja, o município de Araguaína. O instituto destacou ainda que está em diálogo com a prefeitura para viabilizar o pagamento o mais breve possível.
Pagamento ao ISAC em fase de empenho
Procurada, a Prefeitura de Araguaína também se manifestou sobre o atraso salarial dos funcionários do ISAC que atuam na UPA. Em nota, informou que o repasse destinado ao Instituto Saúde e Cidadania, responsável pela gestão do Hospital Municipal de Araguaína (HMA), da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e do Pronto Atendimento Infantil (PAI), referente ao mês de janeiro, encontra-se em fase de empenho.
Segundo a administração municipal, após a autorização da Controladoria Municipal e a conclusão dos demais trâmites necessários, o pagamento será efetivado, com previsão ainda para esta semana.
“O Município esclarece que, anualmente, no mês de janeiro, os processos só podem ser empenhados após a liberação do orçamento anual, que ocorreu na última semana. É importante destacar que o processo faz parte dos trâmites exigidos em lei para garantir a aplicação correta e transparente do dinheiro público e que é seguido à risca pela Prefeitura de Araguaína.”
Confira a íntegra da nota do ISAC
NOTA À IMPRENSA
A gestão da UPA Anatólio Dias Carneiro reconhece o momento desafiador enfrentado por toda a rede de urgência e emergência. Trata-se de uma realidade que não é exclusiva desta unidade ou deste município, mas reflexo de um período de alta demanda assistencial, marcado pelo aumento expressivo de atendimentos, pela sazonalidade de doenças e pela sobrecarga dos serviços de saúde em todo o país.
O dimensionamento das equipes assistenciais da UPA é constantemente monitorado e segue rigorosamente o que estabelecem as resoluções dos conselhos de classe e as normativas técnicas vigentes. A unidade conta, inclusive, com dimensionamento médico e de enfermagem superior aos parâmetros mínimos previstos na portaria ministerial, considerando o porte e o perfil assistencial da unidade. Ainda assim, reconhecemos as dificuldades e os desafios inerentes ao atendimento em períodos de demanda elevada e trabalhamos cotidianamente para mitigar os impactos decorrentes de situações sazonais.
Quanto à superlotação, reforçamos que a UPA é uma porta de entrada para casos de urgência e emergência. A elevada procura por atendimentos de baixa complexidade impacta diretamente o fluxo, o tempo de espera e a dinâmica assistencial, sendo que todos os pacientes passam por classificação de risco, assegurando a priorização dos casos mais graves, conforme os protocolos assistenciais adotados nacionalmente.
Não procede a informação de que pacientes estejam sendo mantidos em locais inadequados ou sem condições assistenciais. A UPA Anatólio Dias Carneiro dispõe de espaços estruturados, seguros e compatíveis com sua finalidade, atendendo às exigências técnicas e aos protocolos nacionais. Como unidade de estabilização, os pacientes graves permanecem pelo tempo necessário até a autorização de transferência pela regulação para unidades de alta complexidade de referência, respeitando rigorosamente o fluxo assistencial estabelecido pelo sistema de saúde.
A gestão da unidade mantém presença permanente e ativa, com diretores presentes presencialmente por, no mínimo, oito horas diárias, além de coordenações em todas as áreas assistenciais e administrativas, assegurando acompanhamento contínuo dos fluxos, das equipes e das condições de atendimento.
No tocante à questão salarial, ao longo de todo o ano de 2025 os pagamentos aos profissionais ocorreram dentro dos prazos legais, inclusive, em diversos meses, de forma antecipada ao quinto dia útil. Excepcionalmente no mês de janeiro, assim como ocorre em grande parte dos estados e municípios do país, há impactos decorrentes de questões orçamentárias e do fluxo de repasses públicos. Eventuais atrasos podem refletir na administração indireta, que depende do recebimento desses recursos para a manutenção de suas atividades. Ainda assim, a gestão mantém diálogo permanente com os entes responsáveis e atua de forma transparente para a regularização dos pagamentos.
A gestão reforça o respeito aos profissionais que atuam na linha de frente e mantém-se aberta ao diálogo responsável, dentro dos limites legais e operacionais do serviço público. Seguimos empenhados em garantir assistência à população e em buscar, junto aos órgãos competentes, melhorias contínuas nas condições de trabalho e no atendimento prestado à comunidade.


