A trajetória de Olga Miranda, fundadora do ateliê Costurando Fofuras, reflete a realidade de muitas mulheres em Araguaína: a necessidade de conciliar a geração de renda com os desafios da maternidade.
A empreendedora transformou um sonho de infância não realizado, aliado à necessidade de cuidar da filha caçula, Ana Sofia, que é autista, em um negócio que vai além da produção artesanal, promovendo representatividade por meio de bonecas.
"A gente era da roça e eu não tive uma boneca quando criança; isso me marcou. Quando saí do meu serviço para cuidar da Ana Sofia, decidi usar esse sonho para transformar algo em minha vida, que eu pudesse gerar uma renda para mim e ao mesmo tempo cuidar dela da forma que ela precisava", relata.
Representatividade e acolhimento
As peças produzidas no ateliê têm como proposta contar histórias e representar crianças com deficiência. Esse sentimento de pertencimento foi potencializado quando Olga passou a participar do programa municipal Empreender Mulher. Segundo ela, a iniciativa da Secretaria da Mulher proporcionou abertura de parcerias antes inacessíveis.
"Para nós que somos mães atípicas, é muito, muito cansativo. Então, as parcerias são muito importantes e ter uma parceria dessa, com um peso tão grande que ‘pega ali na sua mão e diz assim: Você não está só, vamos junto' é imensurável", destaca.
Empreendedorismo feminino e vulnerabilidade
A história de Olga exemplifica o cenário que motivou a criação do Empreender Mulher, desenvolvido pela Secretaria da Mulher. O programa atua diretamente em desafios como o baixo número de mulheres empreendedoras, a dificuldade de acesso à capacitação, a vulnerabilidade social e a ausência de rede de apoio.
A secretária municipal da Mulher, Suzana Salazar, aponta que muitas mulheres ingressam no empreendedorismo “pela dor”, seja pela insuficiência da renda familiar ou pela impossibilidade de trabalhar fora, especialmente em casos de maternidade atípica. “O principal é o apoio. Essas mulheres precisam estar mentalmente bem, para que consigam se desenvolver”, afirmou.
Estrutura de apoio
Para enfrentar esse cenário, o programa estruturou um conjunto de ações. Entre elas, estão encontros, palestras, mentorias, rodadas de networking e feiras de empreendedorismo, que ampliam a visibilidade dos pequenos negócios e criam oportunidades de conexão. Foi por meio dessas iniciativas que Olga conseguiu compartilhar sua história com um público maior.
Outro eixo importante é o cuidado com a saúde mental. O programa oferece acompanhamento psicológico, partindo do entendimento de que o equilíbrio emocional é fundamental para que as mulheres consigam empreender e crescer de forma sustentável.
Além disso, há suporte com ações voltadas ao acesso ao crédito, encaminhando a assistida a um ente que presta esse acompanhamento das finanças, contribuindo para a organização e expansão dos negócios.
Impacto em números
O modelo, que alia acolhimento humano e incentivo econômico, já apresenta resultados. Mais de 500 mulheres foram impactadas diretamente pelas ações da Secretaria.
Somente em 2025, foram registrados 987 novos CNPJs na categoria MEI liderados por mulheres, o que representa um crescimento de 28,3%. Com isso, o município alcançou 4.477 empresárias de pequeno porte formalizadas.
Os dados indicam que o fortalecimento da rede de apoio feminina contribui diretamente para o desenvolvimento econômico local.




