Aquela febre que “deve passar”, a dor no corpo tratada com remédio por conta própria ou o mal-estar ignorado por falta de tempo acabam fazendo parte da rotina de muita gente. O problema é que adiar a ida ao médico continua sendo um hábito comum no país. Uma pesquisa do programa Mais Dados Mais Saúde apontou que 62,3% dos brasileiros deixaram de procurar atendimento mesmo percebendo necessidade de avaliação médica no último ano.
Entre os motivos mais citados estão a demora no atendimento, apontada por 46,9% dos entrevistados, a burocracia nos encaminhamentos e a percepção de que o problema não parecia grave. A automedicação também aparece nesse cenário.
Dados de uma pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) em parceria com o Datafolha mostram que 86% dos brasileiros admitem tomar medicamentos sem orientação profissional, principalmente para tratar gripe, febre, dores musculares e dor de cabeça.
O que parece algo simples, porém, pode evoluir silenciosamente. Infecções, inflamações, crises virais e até quadros de dengue muitas vezes começam com sintomas considerados comuns, como indisposição, náusea, febre persistente ou dores no corpo. Quando o atendimento demora, aumentam as chances de agravamento e o tratamento pode se tornar mais complexo.
Em Palmas e Araguaína, a rotina acelerada e a tentativa de encaixar o cuidado com a saúde entre trabalho e compromissos do dia a dia fazem com que muita gente procure atendimento apenas quando os sintomas começam a interferir mais intensamente na rotina.
Para o especialista do Posto de Atendimento Médico (PAM), Dr. Fagner de Souza , esse atraso ainda é frequente. “Existe uma tendência de tentar resolver tudo sozinho primeiro, seja esperando melhorar ou usando medicamentos sem orientação. Só que o organismo dá sinais importantes e ignorar isso pode dificultar o controle do quadro depois”, explica.
Com atendimento sem agendamento e funcionamento diário das 10h às 22h, o PAM atua como alternativa para casos que precisam de avaliação rápida, mas não necessariamente atendimento hospitalar. Nas unidades de Palmas e Araguaína, os pacientes têm acesso à consulta médica, medicação e procedimentos simples no próprio local.
Segundo o especialista, reduzir o tempo entre o surgimento dos sintomas e o início do cuidado faz diferença na recuperação. “Nem toda situação é grave, mas sintomas persistentes precisam de atenção. Quando o paciente consegue acesso mais rápido à avaliação médica, aumentam as chances de controlar o quadro antes que ele evolua”, orienta.




