Cerca de 50 casas no loteamento Jardim Novo Progresso, em Colinas do Tocantins, estão sob risco de demolição em cumprimento a ordens judiciais de reintegração de posse, o que tem provocado forte mobilização de moradores, lideranças comunitárias e vereadores em busca de uma alternativa para o impasse.
A situação ganhou força após audiência pública realizada na última quarta-feira (8), na Câmara Municipal, que discutiu o cumprimento das decisões judiciais e a ausência de alternativas habitacionais para as famílias afetadas.
Famílias vivem clima de medo e incerteza
Moradores relatam que vivem sob tensão constante diante da possibilidade de perder suas casas. Muitas famílias afirmam ter investido economias de anos, vendido bens e contraído dívidas para construir no local.
A presidente da associação de moradores, Paula Roberta Ferreira Pinheiro, afirmou que não se trata apenas de ocupação, mas de vidas construídas ao longo do tempo. “Não estamos falando de invasores, mas de pessoas que precisaram de um lugar para morar e investiram tudo o que tinham”, disse.
Relatos apresentados na audiência também apontam medo constante de demolição, insegurança emocional e impacto direto em crianças e idosos.
Audiência expõe impasse entre decisão judicial e realidade social
O encontro reuniu vereadores e representantes da comunidade, mas foi marcado pela ausência do Poder Executivo municipal, que não enviou representantes à sessão.
Em ofício encaminhado à Câmara, a Prefeitura afirmou respeitar a decisão judicial de reintegração de posse, mas destacou que busca alternativas dentro dos limites legais para reduzir os impactos sociais.
Debate aponta falhas históricas e déficit habitacional
Durante a audiência, parlamentares e lideranças destacaram que o caso reflete um problema mais amplo: a falta de política habitacional contínua no município.
A vereadora Naiara Miranda afirmou que a situação é resultado de decisões acumuladas ao longo do tempo. “Não se trata apenas de um conflito por terra, mas do resultado de decisões administrativas que geraram insegurança para diferentes grupos da cidade”, disse.
Ela também criticou a ausência da Prefeitura no debate e cobrou posicionamento do prefeito José Batista Ferreira, conhecido como Zenagru.
Defensoria e advogados defendem negociação
O advogado da associação de moradores, Edy César, defendeu a criação de uma comissão de negociação para buscar uma saída institucional.
Segundo ele, a retirada das famílias sem alternativa seria uma medida extrema. “Estamos falando de colocar dezenas de famílias na rua em pleno 2026. O caminho precisa ser o diálogo”, afirmou.
Ele não descartou mobilização popular caso não haja avanço nas tratativas.

Prefeitura cita decisão judicial e busca alternativas
Em ofício, a Prefeitura de Colinas do Tocantins informou que acompanha o caso e reconhece o impacto social da situação.
No entanto, destacou que existe uma decisão judicial de reintegração de posse em vigor, que precisa ser cumprida pela administração pública.
O Executivo afirmou ainda que busca alternativas em articulação com o Judiciário, a Defensoria Pública e a assistência social, especialmente para atender famílias em situação de vulnerabilidade.
Comissão tenta construir saída para o impasse
Como encaminhamento da audiência, foi criada uma comissão mediadora formada por representantes dos moradores, vereadores e entidades jurídicas.
O grupo deverá buscar diálogo com o Executivo e propor alternativas para evitar a retirada das famílias.
Enquanto isso, a mobilização segue crescendo no município, com pressão por uma solução que evite a demolição das casas e garanta o direito à moradia.



