Durante coletiva de imprensa na Delegacia Regional de Araguaína na tarde desta quarta-feira (11), a Polícia Civil apresento o balanço da Operação Sinal Vermelho, que investiga um esquema de fraude na emissão de Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) no estado. Até o momento, oito pessoas foram presas e cerca de 500 habilitações estão sob investigação por possível obtenção irregular.
A operação foi conduzida pela 3ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado, que cumpriu 59 mandados de busca e apreensão e dez mandados de prisão.
As prisões ocorreram nas cidades de Araguaína, Araguatins, Augustinópolis e Guaraí. Também foram cumpridas ordens judiciais em Palmas, Sítio Novo do Tocantins, Ananás e Imperatriz.
Segundo o delegado Márcio Lopes da Silva, titular da 3ª DEIC de Araguaína e responsável pela investigação, o esquema foi descoberto a partir de uma denúncia anônima e revelou adulterações em sistemas utilizados durante o processo de emissão das habilitações.
“A investigação teve início a partir de uma denúncia anônima e contou com a colaboração da Corregedoria do Detran e com o trabalho técnico da papiloscopia. Ao longo das diligências, verificamos adulterações e inserções de dados falsos em sistemas utilizados no processo de emissão de CNHs, o que possibilitou a concessão irregular de habilitações”, explicou o delegado.
As investigações começaram após denúncia recebida pela Delegacia Especializada de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA), em Palmas, e contaram com a colaboração da Corregedoria do Departamento Estadual de Trânsito do Tocantins e do Núcleo de Papiloscopia da Polícia Civil.
Como funcionava o esquema
De acordo com a Polícia Civil, as fraudes ocorriam em diferentes etapas do processo de habilitação, desde o lançamento de dados por servidores até exames médicos, avaliações psicológicas e registros de provas teóricas e práticas.
O esquema permitia que candidatos obtivessem a CNH sem cumprir as etapas obrigatórias previstas na legislação. Os interessados pagavam valores que chegavam a R$ 4,5 mil para conseguir o documento sem realizar exames, aulas ou provas. Em alguns casos, os beneficiários sequer estiveram no Tocantins durante o processo.
A investigação também apontou indícios da participação de servidores públicos, profissionais de clínicas médicas e psicológicas, instrutores de Centros de Formação de Condutores (CFCs), avaliadores de provas e funcionários de empresas terceirizadas que atuam no processo de habilitação.
O delegado-geral da Polícia Civil do Tocantins, Claudemir Luiz Ferreira, destacou o trabalho das equipes envolvidas na operação.
“Esse resultado demonstra o comprometimento e a capacidade investigativa dos policiais civis do Tocantins. O trabalho realizado pelas equipes, especialmente aqui na região de Araguaína, reforça a atuação da Polícia Civil no enfrentamento ao crime organizado e contribui para tornar o nosso estado cada vez mais seguro”, afirmou.
Operação mobilizou cerca de 200 policiais
A Operação Sinal Vermelho contou com apoio da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado e de equipes das delegacias regionais de Guaraí, Gurupi, Araguaína, Paraíso do Tocantins, Colinas e Araguatins, além da colaboração da Polícia Civil de Imperatriz (MA).
Ao todo, cerca de 200 policiais civis participaram das diligências. Após o cumprimento das ordens judiciais, os presos foram encaminhados às unidades prisionais e permanecem à disposição do Poder Judiciário.



