A Associação Comercial e Industrial de Araguaína (ACIARA) encaminhou nesta quarta-feira (10) ofício à Presidência da Câmara Municipal propondo a abertura de um amplo debate público sobre os impactos dos feriados municipais na economia local, especialmente aqueles concentrados no mês de junho. A iniciativa tem como foco principal a preservação dos empregos, o fortalecimento das empresas locais e a busca por soluções equilibradas que conciliem tradição, fé e desenvolvimento econômico.
Respeito à tradição e à fé
Segundo o presidente da ACIARA, Roger Sousa Kühn, a proposta não possui qualquer caráter de enfrentamento às manifestações religiosas ou às tradições históricas da cidade.
"Respeitamos profundamente a fé, a cultura e a história de Araguaína. O que estamos propondo é uma reflexão responsável sobre os desafios econômicos que a cidade enfrenta atualmente e sobre como podemos proteger os empregos e a renda das famílias araguainenses", afirma.
Mudanças na economia e concorrência digital
A entidade destaca que a realidade econômica atual é muito diferente daquela existente quando diversas normas relacionadas aos feriados municipais foram instituídas. Hoje, o comércio local enfrenta forte concorrência das grandes plataformas de comércio eletrônico, que funcionam ininterruptamente, inclusive durante feriados.
Enquanto lojas físicas reduzem ou suspendem suas atividades em determinados dias, consumidores continuam realizando compras pela internet, muitas vezes direcionando recursos para empresas sediadas em outras cidades, estados e até outros países.
Para a ACIARA, essa mudança de comportamento do mercado exige que a sociedade discuta formas de preservar a competitividade das empresas locais, especialmente das micro e pequenas empresas, responsáveis por grande parte dos empregos formais do município.
"O empresário não é apenas dono de uma empresa. Ele é quem gera oportunidades de trabalho, movimenta a economia e contribui para o desenvolvimento da cidade. Quando uma empresa perde competitividade, quem sofre no final da cadeia é também o trabalhador, que passa a enfrentar maiores dificuldades para encontrar e manter um emprego", destaca Roger Kühn.
Outro fator apontado pela entidade é o conjunto de mudanças que vêm sendo discutidas nacionalmente nas relações de trabalho, aumentando a necessidade de planejamento e adaptação das empresas para manter suas atividades de forma sustentável.
Proposta de debate ampliado
No documento encaminhado à Câmara Municipal, a ACIARA sugere que o tema seja discutido com ampla participação da sociedade, incluindo representantes das entidades religiosas, sindicatos de trabalhadores, sindicatos patronais, instituições de ensino, entidades empresariais e demais organizações civis.
Entre as alternativas que poderão ser debatidas estão a transformação de determinados feriados em datas comemorativas oficiais, a transferência de comemorações para fins de semana, a regulamentação do funcionamento das atividades econômicas durante feriados e a realização de estudos de impacto econômico antes da criação de novos feriados municipais.
Papel da ACIARA
A ACIARA reforça que não possui competência legal para determinar a abertura ou fechamento do comércio em feriados, atribuição que depende da legislação vigente e das convenções coletivas firmadas entre os sindicatos competentes.
O papel da entidade, segundo a diretoria, é representar o setor produtivo e contribuir para a construção de políticas públicas que favoreçam o crescimento econômico e a geração de empregos.
"A discussão não deve ser encarada como um conflito entre empresários e trabalhadores, nem entre economia e religião. O que está em pauta é o futuro de Araguaína. Precisamos construir soluções que preservem nossas tradições, mas que também garantam oportunidades para quem trabalha, empreende e produz riqueza em nossa cidade", conclui o presidente da ACIARA.
A entidade informou que permanecerá à disposição da Câmara Municipal e da sociedade para contribuir com estudos, dados e propostas que auxiliem na construção de um consenso capaz de fortalecer a economia local sem abrir mão da identidade cultural e religiosa do município.
Confira a íntegra do ofício aqui




