Neste ano a Black Friday acontece no dia 29 de novembro.
Foto: Celso Tavares/G1

Você acredita que no black friday/2019 as empresas e empresários esperam fazer vendas maiores ou iguais às de 2018? Assim, o consumidor que comprar esse barulho sem se planejar poderá terminar, mais uma vez, como presa fácil na mão do sistema troglodita do consumismo.

É fundamental manter a serenidade e escolher comprar só o que realmente estiver respondendo à sua real necessidade, num valor que couber no seu bolso depois de convincente pesquisa de mercado em que se deve comparar, além dos preços, a qualidade e os benefícios da transação.

Atitudes práticas

Faça uma lista do produto ou serviço que precisa ou deseja e estipule um limite de quanto pode gastar, evitando assim endividar-se mais que o previsto. Sugestão: você pode fazer uma pesquisa de preços por meio dos aplicativos e sites para comparação de vantagens e oportunidades.

Pense que de quase nove em cada dez empresários (86%) esperam que essas vendas da black friday sejam iguais ou maiores do que as do ano passado, conforme pesquisa da Boa Vista.

O otimismo é maior entre os empresários da indústria e dos serviços. Em ambos os setores, a expectativa de 57% é de aumento no volume de vendas, enquanto 28% e 31%, projetam resultado igual ao de 2018.

No Comércio, 44% dos empresários esperam crescimento nas vendas, enquanto 39% enxergam um volume igual a 2018.

Estudos avançados da psicologia do consumidor entenderam e explicam a percepção das pessoas em relação à decisões de consumo. É usando muita psicologia que grandes marcas vendem o conceito de seus produtos aos seus clientes, descobrindo como se sentem, o que pensam e como agem em relação ao que eles têm para vender, seja serviço ou produto.

O principal recurso das empresas para aumentar as vendas deve ser a concessão de descontos, mencionada por 55% dos empresários. Outros 30% vão facilitar o pagamento, oferecendo a opção de parcelamento e 15% pretendem realizar promoções nos moldes do "leve dois e pague um”.

Segundo o levantamento, 25% dos empresários pretendem fazer estoque extra de produtos para a black friday e 13% vão contratar mais mão de obra para a data.

A psicologia do consumidor

Já pensou se uma pessoa pudesse ler a mente de cada consumidor e descobrir o que ele está pensando e sentindo quando estão bem ali no ato da compra?

As pessoas esperariam horas, ou até dias na fila para comprar seus produtos. Defenderiam sua marca e até zombariam dos seus concorrentes.

Não se assuste, pois, então, por favor com isso. Mas já existem pessoas/empresas que fazem isto criando necessidade no consumidor conduzindo seus sentimentos, ações e reações através da propaganda e marketing.

Está tudo contido na psicologia do consumidor. Ela faz com que as pessoas ignorem o lado racional e deixem o emocional decidir: “eu mereço, vou levar”, “eu preciso muito do reconhecimento público, da sensação de poder e do status subliminar que esse produto me garante”.

O lado bom é que você pode utilizar a psicologia do consumidor a seu favor. A psicologia do consumidor delimita-se à percepção das pessoas em relação a decisões de consumo.

É através da psicologia que grandes agências de publicidade e propaganda tentam entender como o público se sente, o que pensa e como age em relação ao serviço ou produto. Assim eles constroem as imagens e linguagens como isca (gatilho) para atrair incautos.

A psicologia envolvida no consumo é tão poderosa que milhares de pessoas são fanáticas por algumas marcas, podendo até passar dias em uma fila para comprar determinado produto ou serviço.

Essa guerra psicológica entre as empresas causa uma superexposição do que cada uma tem a oferecer aos consumidores.

Emoção X racionalidade

Você consegue imaginar quais são os fatores que influenciam a sua decisão pelo produto A ao invés do B?

A resposta pode ser mais simples do que você sabe: a emoção.

Se você não estiver engajado emocionalmente, você vai ter maior capacidade racional para decidir o que e como  comprar. Quando usamos a parte racional do cérebro, podemos decidir através de ene fatores, como: preço,  benefícios e qualidade. Quando existe um envolvimento emocional, as pessoas ignoram a racionalidade e até seus próprios sentidos em prol daquilo que desperta afeição nelas.

A psicologia do consumidor estuda a mente dos consumidores em detalhes no momento em que eles tomam decisões baseadas em questões emocionais.

Por exemplo: Quem nunca olhou para uma obra de arte e se perguntou: como existem pessoas que gastam milhares de reais com isto? Mas e se o valor que essas pessoas enxergam nessas obras não for um valor monetário funcional, e sim um valor emocional artístico? Para as pessoas que veem valor num quadro, não se trata de um simples desenho, ou tinta em um quadro, ou uma escultura feia.

A energia emocional que um consumidor cria com um produto, marca ou serviço vai muito além de um objeto físico. Trata-se de toda a experiência de vida e sensações atreladas a bons momentos. Esses momentos não podem ser substituídos. Podemos criar valor emocional em qualquer tipo de negócio.

Estudos científicos, pesquisas e experimentos

Há muita ciência por trás de tudo isso. Podemos sentir emoção agradável apenas em olhar para o logo de um produto, sua embalagem, seu designer. Uma equipe de neurocientistas registrou atividades cerebrais dos fanboys (consumidores de grandes marcas) e comparou com atividades cerebrais de pessoas religiosas.

O objetivo do experimento foi entender como o nosso cérebro se comporta ao olhar para os símbolos que consideramos importante. Para os fanboys, os logos das marcas. Para as pessoas religiosas, os símbolos religiosos.

As atividades cerebrais dos fanboys foram extremamente parecidas com as atividades cerebrais das pessoas religiosas. Nós somos seres sociais, gostamos de viver agregados, sermos aceitos, admirados e aprovados onde estamos.

E, mais ainda: gostamos de exclusividade. É exatamente isto que grandes marcas fazem com seus fãs. Elas criam uma comunidade imensa onde todas as pessoas sentem-se psicologicamente exclusivas.

Haja visto com o modismo do modelo de celular/tablet considerado acima da média, usando-o você se tornou exclusivo, você venceu pois passou a participar da comunidade de pessoas especiais que compraram o mesmo tipo de celular que causa o mesmo frenesi.

Concluindo, estamos pertinho de mais uma black friday.  Se você for comerciante, boas vendas. Se você for consumidor, boas compras. Sejam os dois felizes para sempre.

Fermino Neto

 

 

 

*Fermino Neto é Psicanalista, teólogo, filósofo, terapeuta.