Moradores de Tocantinópolis, na região do Bico do Papagaio, flagraram uma situação que causou revolta e repercussão nas redes sociais: o corpo de um jovem foi deixado diretamente sobre o gramado do cemitério municipal, dentro de um saco plástico, após o Instituto Médico Legal (IML) do município alegar falta de estrutura adequada para receber corpos em estado avançado de decomposição.
O caso ocorreu na sexta-feira (19) e veio a público após imagens começarem a circular nas redes sociais e serem divulgadas pela página Rede Bico TV, além de exibidas pela TV Anhanguera. A vítima foi identificada como Fernando Costa Roxo, de 20 anos, que foi sepultado na manhã de sábado (20).
De acordo com informações apuradas pela TV Anhanguera, Fernando havia sido encontrado morto um dia antes, na quinta-feira (18), dentro do Rio Tocantins, nas proximidades do povoado Bela Vista, no município de São Miguel do Tocantins. Moradores da região acionaram a Polícia Militar após avistarem o corpo sendo levado pela correnteza. Com o apoio da Defesa Civil, os militares realizaram a retirada do corpo da água e o encaminharam até a margem do rio.
Durante a análise inicial, os policiais constataram que a vítima apresentava duas perfurações na região da nuca, com características semelhantes às de disparos de arma de fogo. Apesar disso, a causa oficial da morte não foi divulgada, e o caso segue sob investigação.
Após os procedimentos preliminares, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal de Tocantinópolis. No entanto, conforme apurado, a unidade não possui necrotério com estrutura adequada para armazenar corpos em estado avançado de decomposição. Segundo especialistas, nesses casos, é necessário um ambiente específico, com sistema de exaustão e condições sanitárias apropriadas, já que corpos nessas condições liberam gases que podem oferecer riscos à saúde dos servidores.
Diante da falta de estrutura, o corpo foi levado ao cemitério municipal e deixado sobre o gramado, ainda dentro de um saco plástico. As imagens registradas por moradores mostram grande quantidade de moscas ao redor, evidenciando o estado de decomposição e a precariedade da situação. O registro gerou críticas e levantou questionamentos sobre a dignidade no tratamento dos mortos e o respeito às famílias enlutadas.
Em nota oficial, a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO) lamentou profundamente o episódio ocorrido no cemitério de Tocantinópolis e afirmou solidariedade à família da vítima. A pasta informou que, por meio da Corregedoria da SSP, irá investigar as circunstâncias que levaram ao corpo ter sido deixado no local.
Ainda segundo a secretaria, será realizada uma análise detalhada da estrutura do prédio do IML de Tocantinópolis, com o objetivo de identificar os investimentos necessários para corrigir as deficiências existentes e evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.
O g1 informou que solicitou um posicionamento ao Governo do Tocantins sobre a situação dos necrotérios no estado, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. Procurada posteriormente, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que não irá divulgar novos detalhes sobre o caso.
Fernando Costa Roxo foi sepultado ainda na manhã de sábado (20). A Polícia Civil segue responsável pelas investigações tanto sobre as circunstâncias da morte quanto sobre os procedimentos adotados após a localização do corpo.
Nota da Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO)
A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO) lamenta profundamente o episódio ocorrido no cemitério de Tocantinópolis e se solidariza com a família.
A Secretaria, por meio da Corregedoria da SSP/TO, irá investigar as circunstâncias que levaram ao abandono do corpo no cemitério.
Quanto à estrutura do prédio do IML, a SSP/TO informa que realizará uma análise detalhada para identificar os investimentos necessários.




